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Guia de Profissões


Ciências Biomédicas

Nem médico, nem biólogo


Um profissional que tem conhecimentos de duas áreas, medicina e biologia. Esse é o biomédico, cuja carreira tem uma ênfase clara na pesquisa. Recentemente, surgiu um novo filão, que quase dividiu o curso em dois — as análises clínicas, que atrairiam muitos interessados. As faculdades se dividiram entre as que habilitariam os alunos para os laudos clínicos e as voltadas aos estudos científicos.


Hoje, a situação difícil do mercado de trabalho é reflexo desse grande número de formandos para trabalhar em laboratórios. “Há excesso de biomédicos com formação inadequada e também de habilitados em análises clínicas”, diz o professor Roberto Frussa Filho, coordenador da comissão curricular do curso de Ciências Biomédicas da Unifesp. Mas acrescenta que “para bons pesquisadores sempre há mercado de trabalho”. O curso da antiga Escola Paulista de Medicina encabeça a pequena lista dos que mantêm a ênfase na formação de cientistas, embora também ofereça a opção de análises clínicas. A universidade forma profissionais para o desenvolvimento de vacinas (imunologia), que também passa pela descoberta de novas drogas e pela avaliação da sua toxidade (farmacologia) e chega até a manipulação de produtos derivados de plantas, animais e microrganismos para utilização na indústria (biotecnologia).


Os laboratórios de análises clínicas foram, por muito tempo, os maiores empregadores. Neles se concentra grande parte dos profissionais da área. Mas os biomédicos disputam essa faixa de mercado com os farmacêuticos e até com os técnicos de nível médio, profissionais mais baratos para os laboratórios. Nessa função, os biomédicos realizam exames de sangue, de fezes, de urina, podendo até se dedicar a desenvolver novas metodologias. O sonho de montar seu próprio laboratório esbarra nos altos investimentos necessários, apesar de muitas cidades médias do interior do Estado de São Paulo, por exemplo, precisarem desses serviços. Nas cidades maiores, há até excesso de oferta de laboratórios.


Um dos campos mais promissores é o da indústria farmacêutica, onde o biomédico pode criar novas linhas de pesquisa, acompanhar a fabricação de remédios e de vacinas. Muitos acabam enveredando pela área de marketing, delineando estratégias de vendas de remédios. Outros campos em ebulição são a biologia molecular e a genética.


A formação difere de faculdade para faculdade e cabe um alerta: confira qual o enfoque dado ao curso – pesquisa ou análises clínicas. Na Unifesp, por exemplo, os três primeiros anos são dedicados a matérias como anatomia, citologia, fisiologia e microbiologia. No terceiro ano haverá a habilitação para análises clínicas e a opção por um estágio. “No quarto e último ano, o aluno dedica-se totalmente à produção de uma monografia inédita com a supervisão de um orientador”, explica Frussa. Quer dizer, ele se torna bacharel só depois que apresentar um trabalho científico. Ao contrário do aluno formado pela Unifesp, quem sai de universidades que dão ênfase somente à pesquisa se torna habilitado em análises clínicas depois de um curso de seis meses de duração, em média. De qualquer maneira, é possível complementar as habilitações quando o curso terminar. Os interessados na carreira de cientista devem procurar um mestrado depois do bacharelado. O salário inicial da carreira gira em torno de R$ 1 mil.


Duração do curso: quatro anos.


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