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Física
As leis naturais a serviço do homem
Para quem gosta de futebol, poucas jogadas são tão encantadoras quanto uma falta bem cobrada, “com efeito”, em que a bola faz aquela curva perfeita, fugindo do alcance do goleiro e marcando um gol no exato lugar imaginado pelo cobrador. Ainda que a maioria dos futebolistas não tenha a mínima idéia disso, conseguir essa façanha significa ter talento para a cinemática, ciência que estuda os movimentos dos corpos.
Mas disso entendem os físicos, que também recorrem a esse e outros conhecimentos para fazer outros cálculos, como a distância entre os raios durante uma tempestade ou o índice de vazão de águas pluviais. Estudar as leis naturais é o primeiro passo para o desenvolvimento de projetos que podem revolucionar as áreas ligadas à tecnologia: mecânica, energia térmica, óptica, acústica, eletricidade, magnetismo, eletrônica, entre outras.
Espírito analítico e curioso são atributos obrigatórios para quem quer ter sucesso nesse campo, cuja carreira é árdua. Fora dos poucos tradicionais órgãos de ensino, no Brasil quase não há boas bibliotecas nem laboratórios bem equipados – deficiências sérias no ensino de uma ciência essencialmente investigativa.
O magistério ainda tem sido a saída para absorver muitos dos profissionais da área. “Para quem faz licenciatura, o emprego como professor de ensino médio está garantido”, afirma Luiz Carlos Gomes, presidente da comissão de graduação do Instituto de Física da USP. Para os docentes titulados, a baixíssima remuneração nas universidades públicas tem provocado uma fuga para instituições particulares, que pagam melhor. Além do ensino, os físicos podem atuar em praticamente todos os segmentos da atividade científica e industrial. Na medicina, esse profissional trabalha em áreas como a cintilografia cardíaca (exame que permite a visualização interna do coração pelo mapeamento resultante da distribuição de isótopos radiativos). Na indústria automobilística, atua ao lado de engenheiros na montagem de carros. Em oceanografia, faz análises das relações entre o mar e a atmosfera.
Atualmente, está em alta a física dos materiais, que desenvolve tecnologia de ponta para fibras ópticas, chips e supercondutores. A física nuclear passa por uma fase de declínio. Embora a usina de Angra 2 esteja em funcionamento, é grande o barulho em torno dos perigos de acidente nos reatores. As deficiências na operação da usina de Angra 1 e a preocupação com o armazenamento do lixo nuclear comprometem a utilização dessa fonte de energia no Brasil.
Os cursos superiores são bastante abrangentes em termos de especializações: experimental, geral, de materiais e mecânica, matemática, nuclear e física aplicada. Além da licenciatura, quem concluir o curso poderá trabalhar em diversas áreas de pesquisa ou obter habilitação em Física aplicada e instrumentação, microeletrônica, oceanografia física e astronomia. É recomendável iniciar um trabalho de pesquisa ainda na faculdade. “Mas é bom se preparar para estudar durante uns dez anos”, alerta Gomes, referindo-se aos cursos de mestrado, doutorado e ao pós-doutorado.
Uma nova opção para a graduação é o curso de Engenharia Física, só oferecido pela UFSCar. Embora já exista em universidades estrangeiras como Cornell, Berkley, Moscow e Santford, na América Latina essa habilitação era inédita. O objetivo é formar um engenheiro com sólida formação em matemática e em física, de forma que ele norteie sua aplicação multidisciplinar.
Duração média do curso: quatro anos.
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