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Medicina
O médico da família
Tradição difícil de quebrar, esse continua sendo um dos cursos mais disputados e que tem as maiores notas de corte nos vestibulares. Depois de vencer esse primeiro desafio, a coisa não fica mais fácil. São seis anos de estudos, mais quatro de residência. E, quando o médico finalmente sai à procura de emprego, depara com o seguinte quadro: “Três quartos de todos os médicos brasileiros têm entre três e quatro empregos, incluindo consultório próprio”, segundo Maria Helena Machado, coordenadora da pesquisa Perfil dos Médicos no Brasil, realizada entre 1994 e 1996, fruto de um convênio entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e o Conselho Federal de Medicina.
Dificilmente um médico não reclama do desgaste físico e mental que a profissão provoca, ao mesmo tempo em que desfruta do prazer de exercê-la. Como conhecedor das funções de cada órgão do corpo humano, ele diagnostica doenças e escolhe o melhor procedimento para combatê-las. Prevenir também faz parte de suas tarefas, principalmente se for especialista na área de saúde pública. Mas essa é apenas uma das especialidades entre mais de 65 opções reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina. Na Região Sudeste, as dez especialidades que mais se destacam são: pediatria (13,2%); ginecologia e obstetrícia (11,6%); medicina interna (6,9%); anestesiologia (5,5%); cardiologia (5,4%); cirurgia geral (4,9%); ortopedia e traumatologia (4,1%); oftalmologia (3,7%); psiquiatria (2,9%) e medicina do trabalho (2,8%), “que englobam 61% do total de médicos desse mercado”, afirma Maria Helena.
Enquanto crescem as especializações, no entanto, aumenta o reconhecimento da necessidade de médicos generalistas, como os antigos clínicos de família, capazes de fazer um acompanhamento mais íntimo e diagnósticos por entrevista e observação dos pacientes, sem exagerar nos exames laboratoriais – dados da Sociedade Brasileira de Clínica Médica indicam que 70% dos exames feitos em São Paulo não acusam nenhuma anormalidade. A boa notícia é que depois de quase haver desaparecido na última década, a figura do clínico geral está ressurgindo, especialmente em programas de saúde públicos.
Nos anos 80, houve um “boom” – de escolas de Medicina – nem sempre instituições com infra-estrutura adequada. A preocupação com a qualidade desses cursos fez o Conselho Federal de Medicina e outros órgãos do setor pensassem na criação de um órgão equivalente à Ordem dos Advogados do Brasil, que seria responsável por um exame de classe para validar o exercício da profissão. Até agora, esse exame ainda não existe.
Os dois primeiros anos do curso são básicos, com disciplinas como biologia, anatomia, fisiologia etc. As matérias clínicas começam a partir do terceiro ano, quando o estudante também inicia o atendimento ambulatorial. No quarto e quinto anos, há estágios e plantões na própria faculdade – se essa tiver um hospital-escola, o que é um bom indício de qualidade – ou em centros de saúde. Depois, virão os dois anos de residência, não obrigatórios, mas importantes para a formação. Os salários iniciais da categoria estão em torno de R$ 2,3 mil.
Duração média do curso: seis anos, mais quatro de residência.
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